Conto: Eu não vou desistir

Ela é linda! Seus cabelos claros em cascatas, balançando suavemente enquanto caminha, tem uma cadência única que me dá vontade de tocá-los. Seu rosto é suave, seus traços são de uma perfeição que não consigo descrever. Mas ela é proibida. Ainda não entendo o porquê de alimentar essa paixão, mas é algo latente. Só de olhar, de lembrar, automaticamente minha mente a vê, seu olhar, seu sorriso, ouço o som de sua voz.

– Hei! Acorda!

– O que?

– Por que não vai falar com ela logo ao invés de ficar com essa cara de bobo sempre que ela passa?

– Você sabe bem que não posso! Primeiro porque ela tem namorado. Segundo porque já tive minha chance e não aproveitei.

– Cara, você é complicado!

Continuo meu trabalho tentando me concentrar de novo, mas a tentação bate a porta do escritório e entra. A vejo conversar com a Silvia, secretária do nosso chefe e sair. Volto para o computador e trabalho na campanha de marketing da empresa. Também me pergunto porque perdi minha chance com ela. Como não consigo usar uma graduação, pós e mestrado em prol de me ajudar com a campanha da minha vida. Conquistar ela.

– Vamos?

– O que foi?

– Vamos a um barzinho hoje. Comemorar a promoção da Déia.

– Não sei. Acho que não vou, tenho que concluir essa campanha.

– Nando, cara! Você tem tempo de sobra, estamos com o trabalho semanas adiantado. Não vem com desculpas. É a promoção dela! Você tem que ir, pode ser a sua segunda chance!

– A não ser pelo detalhe do namorado dela.

– Deixa de moleza e corre atrás. Você sabe o que ele faz. Conta a ela!

– Ela não vai acreditar e sinceramente não quero me meter nisso. Ela escolheu ele. Tenho que aceitar.

Hugo puxa minha cadeira e me afasta da minha mesa de trabalho.

– O que você está fazendo?

– Calma que estou salvando sua vida.

Vejo ele salvar meus arquivos e desligar o notebook. Depois pegar meu celular e chaves e me entrega.

– Vamos! Você vai resolver isso por bem ou por mal. Mas você vai lá comigo.

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Chegamos ao barzinho e como sempre eles estão juntos, grudados. Ele parece mais um carrapato perto dela, mas sei que na verdade é ele quem comanda. Ela o olha sem desconfiar de tudo o que apronta. Já perdi as contas de o ver com outras mulheres enquanto ela está viajando a trabalho ou mesmo em festas e ela em casa. Meu sangue ferve mas não tenho a força necessária para resolver isso. Fora que o cara é enorme! Mesmo que eu não seja tão menor que ele mas não sou de brigas. Ele é um valentão nato e a trata como um troféu.

– Que bom que vieram. Obrigada!

– Parabéns pela promoção! Mereceu com louvor! – Hugo fala com ela apertando sua mão enquanto o sujeito me olha querendo me fuzilar. Já sofri suas ameaças e não quero pagar pra ver.

– Parabéns Andreia!

– Obrigada Nando. – ela fala e sorri, mas seu sorriso não chega aos olhos. Alguma coisa está acontecendo. Ela disfarça e brinca com todos a mesa, mas sei que não está realmente feliz hoje. Mesmo com a promoção que buscou durante 1 ano e meio. Durante toda a noite tento observa-la de longe.

Vou ao banheiro e quando volto eles já foram. Uma sensação estranha me domina, pago minha parte da conta me despedindo de todos e vou embora. Perdido nos pensamentos passo na rua onde ela mora e vejo as luzes apagadas. Suspiro profundo imaginando que ela esteja com ele mas a vejo sentada no jardim, sozinha. Tomado por uma coragem que não conheço saio do carro e vou falar com ela.

– Déia.

– Nando? O que faz aqui? – ela levanta e corre os olhos em todas as direções.

– Vim ver você. Percebi que estava meio aérea lá no barzinho. Aconteceu alguma coisa.

Ela solta o ar de uma vez e me convida a entrar e sentar com ela.

– Tenho desconfiado de algumas coisas sobre o Marcos, mas deve ser coisa da minha cabeça.

“É agora! Fala!” Ouço essa voz na minha cabeça enquanto ela desabafa mas não sei se só falar sem provar nada ela vai acreditar.

– E vocês não estão bem? – pergunto na esperança de ela dizer que não.

– Estamos, mas tenho notado ele agir diferente nos últimos dias.

Ou você começou a abrir os olhos de verdade, eu penso mas não digo nada. Mudo o assunto para outros, lembrando de quando entramos na empresa juntos. Ela na área administrativa e eu no marketing. A nossa trajetória até aqui.

Ela baixa a cabeça e vejo uma gota molhar seu braço.

– Hei! Estou aqui para o que precisar. Sabe que pode contar comigo sempre, não sabe?

– Sei. Nando, você é um amigo e tanto.

E a punhalada final foi dada. Me despeço a lembrando que é tarde e que está frio. Ela entra em casa e eu no carro. Dou umas voltas pois não quero ir direto para casa e vejo o infeliz se agarrando a outra bem em frente ao prédio onde moro. Tentando passar despercebido pego meu celular e gravo a ação dos dois. Ela precisa ter provas para acreditar e como bons amigos não passam só a mão na cabeça, mostram também as falhas eu vou mostrar a ela quem realmente é seu namorado.

Hugo me ajuda no fim de semana a colher mais informações sobre o infeliz. Vasculhamos redes sociais e achamos material suficiente para que ela acredite. Se eu não posso ser nada além de um amigo, serei O amigo, estarei ao seu lado em todos os momentos.

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Passados 15 dias de sua promoção ela chega de uma viagem e a encontro cansada encostada a mesa.

– Oi Gerente, posso falar com você sobre a campanha?

– Oi Nando, pode ser outra hora, não estou com cabeça hoje.

– Ok. Tudo bem?

– Sim, só dor de cabeça.

– Então quando estiver melhor e quiser ver me chama, temos tempo ainda.

– Tá bem.

Saio de sua sala preocupado, falo com Silvia e peço que leve um pouco de água e um analgésico para ela. Passo o resto do dia pensando nela. Quase no final do expediente uma agitação faz todos saírem apressados de suas mesas.

– O que está acontecendo?

– Não sei. Vamos ver.

Chego ao corredor e a vejo gritando com o namorado dentro de sua sala. Chego mais próximo e o ouço a chamar por diversos nomes inapropriados para um ambiente de trabalho. Mas ela não se entrega. Está com uma fúria, uma raiva estampada no rosto até que ele perde a cabeça e a empurra.

– Hei grandão, porque não enfrenta alguém do seu tamanho? – as palavras saem da minha boca antes de pensar.

– VOCÊ! É ele não é? Sua … É ele? Responde! – grita com ela.

– O que está acontecendo aqui?

– Senhor, é preciso prender esse homem. Está descontrolado e ainda agrediu uma funcionária. – Alguém fala para o chefe de segurança e ele mais dois prende o sujeito. Chamamos a polícia e tento falar com Andreia mas ela foi levada a sala da direção. Rezo que aquele canalha não tenha a feito perder o emprego.

Chego até a entrada da empresa e os policiais o estão levando. Todos se dispersaram e vou novamente tentar falar com ela. A encontro fragilizada e sozinha em sua sala. Quero abraçá-la, quero confortá-la mas seria uma invasão de espaço depois do que Marcos fez.

– Como está?

– Me leva pra casa? Preciso de uma carona. Acabei de saber que meu carro foi totalmente danificado por aquele… aquele… – ela segura a respiração para não chorar mais.

– Claro. Vou pegar as chaves.

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Seguimos em silêncio, entro na sua casa e a acomodo no sofá.

– Tem certeza de que está bem? Quer que fique aqui com você mais um pouco?

– Como não enxerguei Nando? Como fui cega todo esse tempo.

– O que você sabe?

Ela me olha com os olhos baixos.

– Você sabia, todos sabiam, menos eu. – ela desabafa e chora de novo.

– Hei. Você hoje viu quem ele realmente é? Agora imagina com as ameaças que ele fazia a todos que sabiam de tudo. Eu me condenava todos os dias por saber e não ter coragem de contar a você. Não tanto por medo dele, mesmo sendo aquele grandalhão, mas por não quere ver essa carinha triste. E como você mesma falou, você estava cega de amores por ele. Não iria acreditar em ninguém.

Não resistindo mais eu abraço e a embalo até que ela se acalme. Ofereço companhia na delegacia para o B. O. que terá de abrir por agressão física, difamação e danos morais e danos a propriedade privada.

– Você quer que chame alguém para ficar com você?

– A Silvia vem ficar comigo hoje. Obrigada Nando, por tudo.

– Sempre. – Beijo seu rosto e vou embora

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Passados alguns dias, Marcos foi condenado pelos crimes e permanece preso. Andréia segue no emprego e eu estou ao seu lado sempre que precisa. Nossa empresa tem ganhado vários contratos importantes chegando a necessidade de abrir uma filial em outro estado e Andreia foi escalada para tocar adiante recebendo outra promoção em tempo recorde. Tanto que se jogou no trabalho para não pensar em tudo o que aconteceu me surpreendi com seu convite para irmos juntos a filial, como gerente de marketing. Era uma oportunidade única. Montar a equipe do jeito que queria. Sangue novo, novas metas, novos ares. E tudo ao lado dela, pois em nenhum momento meus sentimentos mudaram.

Saímos todos para comemorar a minha promoção. E a vejo feliz e leve como há tempos não via. No final acabei lhe dando carona até me casa pois bebeu um pouco e não podia dirigir. Ela me chama para entrar e ficamos na sala conversando mais um pouco.

– Sabe Nando. Eu estive pensando sobre como fui cega. – ela solta um suspiro. Não tocava no assunto e estranhei

– Acontece muito Déia. Não pode se culpar por isso.

– Sim, eu posso. – ela me olha – Posso me culpar por ter perdido tempo. Por não ter percebido a escolha errada que estava fazendo. Por ter aberto mão de algo forte por um deslumbramento feito adolescente quando o cara mais popular da escola lhe dá oi.

– Não estou entendendo.

– Não está ou não quer? – ela se aproxima aos poucos de mim.  – Ou talvez seja tarde demais e eu estou fantasiando a toa?

– Deia. – falo num sussurro e ela me beija. Paraliso sem reação e aos poucos vou cedendo ao desejo que guardei por tanto tempo. Retribuo seu beijo derramando todo o meu sentimento por ela nele. Assim passamos a noite, namorando, nos conhecendo e abri meu coração a ela do jeito que sonhei fazer, desde o primeiro dia que a vi.

Fizemos planos para a nova empresa e seguimos nessa jornada juntos, no trabalho e fora dele. Uma jornada desconhecida para ambos, mas que seria impossível rejeitar.

 

Assinatura Salmão
PS: Ouçam a música:
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Novidade!!! E-book Elas sonham… Eu, conto!

Oie!!!
Sei que ando sumida rsrsrs tempo é algo que nos falta muito hoje com o corre corre da vida. Nossa maratona diária entre família, trabalho, estudos… enfim… Mas estou numa de vícios literários.

Devorando cada livro que aparece e amando muitoooooooo.

Porém não deixo de escrever, o que é minha outra paixão. Tanto que já estou lançando um e-book de contos sensuais.

WHAT???????!!!!!!!!!!!

São 6 mini contos de deixar água na boca…. é o que dizem pelo menos, sou suspeita pra falar né, rsrs.

Então… inspirado em livros e personagem que algumas amigas adooooooram, criei os contos e estou lançando em formato de e-book no site https://www.amazon.com.br/ .

Para adquirir o seu basta clicar nesse link aqui embaixo  e pronto! Poderá desfrutar de uma leitura super intensa…

https://www.amazon.com.br/dp/B01CRQK5MW

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Capa Antiga

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Capa Nova

Veja as opiniões abaixo e garanta já o seu!

“Os contos da autora Aline Martins, são um verdadeiro mar de surpresas, e são surpresas de deixar qualquer um de queixo caído e com a imaginação à flor da pele. Cada conto um mais quente que o outro, não dando vontade de parar de ler…”

– Cinthia Gutierrez – ADM do grupo Lunáticas por Romance, Blogueira e Agente Literária

“Uma grata surpresa da literatura hot, Aline Martins vem através dos seus contos surpreender suas leitoras com histórias quentes e de pegada forte. Temos o prazer de ter entre nós mais uma escritora de tirar o fôlego e acelerar os batimentos cardíacos.”

– Juliana Mendes – Escritora, Autora de Porque Fechei Os Olhos

Velha Infância

Assistindo a um seriado, me deparei com minhas lembranças de infância, onde podíamos brincar na rua sem muitos sustos, jogar de bola, ciranda, pega, pique, esconde, correr à vontade. Ah como eram bons esses tempos, ruas mais tranquilas, jogos divertidos, brincar ao ar livre.

Hoje, quase não vemos crianças na rua a brincar, o perigo da “evolução” tomou de conta de tudo e de todos. Em cada esquina vemos adultos, jovens e até crianças mesmo, usando drogas, bebendo, fumando, sendo influenciadas por um universo de sabores nada agradáveis aos olhos, olfato e paladar, apenas para fugir de realidades que nem imaginamos existirem. Violência contra crianças, mulheres, idosos, no trânsito; preconceito de raças, etnias e pessoas diferentes, famílias desestruturadas, enfim, uma infinidade de situações que nós não conhecemos, apesar de serem noticiadas diariamente.

Hoje, realmente, bateu mais forte a saudade de minha velha e boa infância.