Ensaio sobre a cegueira – José Saramago

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Uma verdadeira ilustração do que poderia ser a frase de Einstein: “ Não sei como será a terceira guerra mundial, mas sei como será a quarta: com pedras e paus. ”

Uma narrativa sofrida, onde o autor demonstra o pior do que a humanidade pode se tornar.  Um verdadeiro mundo de provas e expiações onde o ser humano é reduzido ao mais primitivo do seu ser. Um mundo onde ninguém vê nada além de branco leitoso. Ou melhor, será que ninguém vê mesmo?

O livro começa com a ante página, na seguinte colocação: Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara. ~ Livro dos Conselhos

Um mundo de cegos, onde o que impera para a maioria é a sobrevivência a todo custo, mesmo passando por cima, literalmente, uns dos outros. Começamos a analisar e a criticar cada pensamento, palavra e ação nossa, com o decorrer da leitura. A crueldade é demonstrada em diversas situações em que você lastima ter a capacidade da imaginação. Uma vez que ouvi a seguinte frase: “Se és capaz de imaginar, és capaz de fazer”.

“Uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos.”

Não duvidei, e ainda não duvido, em momento algum durante a leitura, de que o ser humano realmente fosse capaz de todas as “proezas” descritas nesse livro. Uma história nua e crua de como a sociedade dita “civilizada” pode ser capaz de transformar-se em um pandemônio sem precedentes.

A riqueza de detalhes, a sabedoria em cada situação, a análise gerada em todos os conflitos… tudo o que se possa imaginar de grandezas e méritos ao autor, eu o faria com certeza. Pois nos faz perceber onde a humanidade por chegar e, acredito ainda que podemos ser capazes de não regredir a tanto, como evitar muitas das diversas situações citadas.

Assisti ao filme e me impressionou todo o enredo. Finalmente puder contemplar essa incrível leitura, merecedora de todos os aplausos possíveis no mundo.

Assinatura Salmão

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Resenha: Um encontro com o acaso – Dresa Guerra

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Ela, fotógrafa por paixão e profissão. Segue a vida de maneira livre e ama o que faz. Trabalha para uma revista que a leva em várias viagem deixando seu espírito e suas aventuras cheias de histórias boas para contar. A alegria é o sobrenome de Mariana.

Ele, professor, dedicado aos seus alunos e seus estudos, busca a quietude e o conforto da estabilidade. Prefere, rotina e controle do que a liberdade desenfreada. Em busca de um doutorado e sem perspectivas para romances, vive seus dias entre aulas e livros. Trabalho é o sobrenome de André.

Até que um esbarrão, um sorvete derramado em uma noite tranquila muda tudo.

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Mariana e André são opostos em praticamente tudo nessa vida, mas a eletricidade e a amizade agem de uma maneira tão inesperadamente fácil como se os dois fossem velhos amigos. Até que com o passar do tempo e a proximidade, ambos notam as diferença que cada um trouxe as suas vidas só que não enxergam no outro a contrapartida. O destino prega peças que nem mesmo os mais atentos conseguem entender. E parece que ele deseja mais do que tudo manter Mariana e André afastados.

Realmente existe algo de destino em nossas vidas ou somos nós que fazemos nosso próprio destino?

Leve, divertido, emocionante e apaixonante. Uma ótima leitura para se devorar em algumas horas e repetir por muitas depois. Esse livro arrancou risos e sorrisos, me fez entender que algumas coisas não tem explicação e quando tem, nem sempre são necessárias.

Assinatura Salmão

Resenha – Quando a noite cai – Carina Rissi

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Briana Pinheiro, ou simplesmente Bri, é uma jovem moça brasileira que se considera nascida na fila dos “sem sorte”, principalmente com relação a trabalho. Com um currículo de não por inveja a ninguém já que não consegue durar muito tempo em um emprego, se vê mortificada com a possibilidade de perder o único lar que já teve e onde guarda um pouco de sua história. A pensão onde mora com a mãe e a irmã, e que resiste com muito esforço de sua mãe e uma única hóspede e porque não dizer, amiga.

As noites de Briana são agitadas por sonhos… peculiares, onde ela se transporta para lugares medievais, em meio a guerras, castelos, espadas, mercenários, um guerreiro… que é capaz de roubar mais do que seu sono… seu coração. Tudo isso misturado as terras irlandesas. E como uma de suas paixões é o desenho, ela retrata todos esses cenários em um caderno que só confidencia, juntamente com seus sonhos, à sua irmã, Aisla.

Quando mais um de seus empregos é encerrado de maneira caótica, Briana volta para casa abatida e por mais esforço de sua irmã alto astral ela se vê tendo esperanças de mais uma vez conseguir um trabalho que dure e que deixe sua amiga de tempos, a má sorte, para trás.

Um dia de fatos esperados, ou não, Briana, dá de cara sua grande amiga, a má sorte, ou a espanta por um tempo, nem mesmo ela sabe dizer, pois ao final daquele mesmo dia, chega em casa empregada por um irlandês de olhar misterioso, calado, de presença marcante, e se não bastasse tudo isso… igual ao guerreiro de seus sonhos.

Um novo emprego, uma viagem a Irlanda, uma paixão arrebatadora é o que a nossa mocinha encontra e ainda mais, o significado para seus misteriosos sonhos, que podem mudar a vida dela para sempre.

Intenso, carismático, irresistivelmente arrebatador. Um romance com a marca registrada dessa autora que nos faz ter momentos de leveza com humor em seus livros. Apaixonada, encantada, extasiada com esse livro.

 

Assinatura Salmão

RESENHA: A Sétima Cela – Kerry Drewery

acelaTítulo: A Sétima Cela

Autor: Kerry Drewery

Editora: Astral Cultural

Gêneros: Suspense / Distopia / Romance

Ano: 2016

Páginas: 316

 

A Sétima Cela é uma distopia. Uma época onde não existem mais tribunais, presos com penas intermináveis, sistema penitenciário, nada disso. No lugar existe um reality show onde são apresentadas pessoas acusadas de cometer os mais variados crimes para que o público julgue e lhes condene, ou não, a morte. Isso em apenas 7 dias. Eles são mantidos em uma prisão conhecida como o corredor da morte. Aguardam a votação e no fim: Liberdade ou cadeira elétrica.

 

Nesse livro temos a história de Martha Honeydew, uma jovem de 16 anos, que confessa ter assassinado uma celebridade nacional, o queridinho da nação: Jackson Paige. Durante os próximos 7 dias em que Martha ficará no corredor da morte, ela será apresentada, julgada pelos telespectadores do famoso programa “Morte é Justiça” e se for considerada culpada irá para a cadeira elétrica.

 

Nesse tempo ela percorre 7 celas diferentes. Cada uma com suas peculiaridades, e onde a faz repassar por lembranças de sua vida, sua trajetória até o momento presente. Conhecemos um pouco de seu passado por esse meio. Enxergamos os personagens que se juntam a ela nessa trama e nos faz pensar se o que vemos todos os dias expostos nas mídias realmente faz jus a verdade. Temos uma ré confessa, em um programa sensacionalista que a mostra admitindo o crime, porém… Mais nada. Não buscam saber o que a levou a cometer o assassinato. Onde estão as provas? Realmente a justiça pode ser feita com apenas uma ligação? Realmente “Morte é Justiça”? Onde estão os questionamentos? Quem é essa garota? Qual a relação dela com a vítima?

 

NADA É APRESENTADO ALÉM DA ACUSAÇÃO JÁ CONDENANDO A GAROTA!!!!

 

NÃO EXISTE MAIS A MÁXIMA: “INOCENTE ATÉ QUE SE PROVE O CONTRÁRIO”

 

Muitas coisas nas lembranças de Martha são apresentadas ao leitor. Sua família. A família de Paige. Amigos e como se envolvem em toda essa situação. Personagens secundários que ganham voz a cada página virada. Emoções, conflitos, segredos escondidos e outros tantos a serem descobertos. Intrigas, confusões, nervos à flor da pele. Martha é uma assassina fria ou uma vítima da sociedade? Uma reviravolta no final.

 

Surpreendente, intrigante, sensorial e intuitivo são alguns dos adjetivos que posso falar sobre esse livro. Nos leva a pensar sobre como tratamos o ser humano, como vemos os que estão a nossa volta, se é que vemos. Como enxergamos a sociedade atual e o que podemos fazer para melhorar. O primeiro da trilogia A Cela. Claro que o final me deixou com gostinho de quero mais e espero o segundo volume com curiosidade e ansiedade a mil.